500 Dias Com Ela: Gostar de alguém faz com que essa pessoa seja nossa?

“Algumas pessoas estão destinadas a se apaixonarem uma pela outra, mas isso não significa que elas estão destinadas a ficarem juntas.”

500 Dias com Ela é aquele tipo de filme que volto sempre para reassistir. Pode não ser o filme com as melhores críticas, prêmios, que passou em vários festivais, mas mesmo assim ganha meu coração por várias coisas. Para começar ele inverte os papeis, aqui não é uma garota interessada em um garoto, mas sim o contrário.

Aquela vontade de encontrar alguém parte do garoto. E invertendo as lógicas, não é tão diferente assim. Tom é um garoto romântico que acredita em um amor idealizado em que duas pessoas vão se encontrar e ficar juntas para sempre, como o narrador anuncia, ele foi estragado pelas músicas tristes britânicas e exposição a filmes como “A Primeira Noite de Um Homem” e ele também acreditava que só seria verdadeiramente feliz se conhecesse “a” pessoa.

Summer é uma pessoa completamente diferente, ela não acredita na história de ter “a” pessoa. Muito menos em amor e relacionamentos. Em uma conversa com Tom no bar, eles conversam e ela acha que amor é uma fantasia.

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Temos duas pessoas que tem um conceito completamente diferente de relacionamentos, amor e consequentemente expectativas diferentes. Mas eles tinham algo parecido, eles se sentiam atraídos um pelo o outro e gostavam da companhia um do outro.

Mas isso é o bastante para começar um relacionamento? Não necessariamente. E é isso que o filme vai debater ao longo do seu tempo não linear. O filme é todo cortado e nos leva ao início e ao meio da história em questão de segundos, mas isso não faz com que nos perca.

Isso faz com que nos identifiquemos em alguma( ou algumas) vezes com o filme. Seja sendo no lugar de Tom ou no lugar  de Summer. O filme vai trazer o começo deles, o primeiro olhar, a tentativa de aproximação, o primeiro flerte, o primeiro encontro, passando por todo o relacionamento até o fim e depois superação.

Mas o que quero destacar é um ponto: Será que só porque gostamos daquela pessoa ela é automaticamente nossa?

No filme notamos o quanto Tom gosta de Summer. Ele fica encantado por ela no momento que a vê e, com o passar do tempo, quando descobre que eles tem os mesmos gostos, que se dão bem, que ela é uma garota legal, ele se apaixona ainda mais por ela.

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Já Summer, não demonstra a mesma coisa por ele. Ela dá vários sinais que gosta dele, mas que não está apaixonada e nem que eles dois durarão para sempre. No começo ela já avisa que não quer nenhum relacionamento sério e que ele concorda em serem amigos.

Por muitas vezes Tom se pergunta o que eles tem e os seus amigos também. Ele não está feliz em não ter “rótulo”, mas ele não quer demonstrar isso a ninguém, nem pros amigos, nem pra sua irmã. Mas quando fica perturbado o bastante, ele chega a Summer e pergunta o que eles tem.

E ela mais uma vez diz que está feliz e que não quer colocar um rótulo neles. Mostrando que ela gosta dele, da companhia dele, mas não está apaixonada o bastante para querer algo sério, pois ela não acredita em relacionamentos sérios, para ela é algo que só complica e que nunca termina bem.

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Por mais que Tom não estivesse satisfeito, ele continua mesmo assim a relação. E quantas vezes isso não acontece? Quando estamos insatisfeitos com alguma coisa quando estamos com outra pessoas, mas que mesmo assim aceitamos só para continuar com ela? Quantas vezes não guardamos os nossos sentimentos esperando que a outra pessoa mude?

Ele aceitou continuar sem rótulo, mesmo não gostando. A relação continua, mas chega um ponto que eles só brigam e que se desgasta.

Em um desses pontos de desgaste, Tom chega a dizer a Summer que queria algo que fizesse ele ter certeza que ela não acordaria de manhã se sentindo diferente e fosse embora. E Summer responde que ninguém pode garantir isso a ele.

O que é verdade. Não podemos esperar que as pessoas sintam para sempre a mesma coisa. Sentimentos podem mudar e não há nada que podemos fazer quanto a isso. Quantas vezes nos apaixonamos por alguém e quantas vezes isso passou? Não é algo que podemos controlar. Um namoro ou um casamento não vai garantir que a outra pessoa nos ame para sempre e que fique do nosso lado para sempre. A única coisa que podemos fazer é aproveitar o momento. É o que diz aquele soneto de Vinícius de Moraes tão copiado: “Que não seja imortal pois é chama, mas que seja infinito enquanto dure”.

Summer quando vai falar com ele, para terminar, ela fala que eles estão como Sid e Nancy há meses e que eles não estão mais fazendo bem um ao outro. No filme vemos várias cenas de como o relacionamento realmente está desgastado. É como se víssemos a visão de Summer, pois, já havíamos visto as mesmas cenas pela visão de Tom no começo e pareciam diferentes. Porque na visão dele estava tudo bem, ele deu uma romantização onde não havia.

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Quando eles se separam, ela pede para ele não ir porque ele é “o melhor amigo dela”. Mais uma vez vemos a diferença na visão deles sobre o relacionamento. Ele vê ele como a mulher com que casar e ele o vê como um amigo.

Como Summer falou, eles brigavam há meses. O relacionamento não ia bem. Summer não gostava dele como ele gostava dela. Mas Tom a amava e por isso acreditava que o relacionamento poderia ser levado.

Mas não há como sustentar um relacionamento assim. Não tem como um amar por dois. E esse é uma das grandes lições que o filme deixa. As vezes vamos encontrar alguém e nos apaixonarmos, mas não podemos esperar que a outra pessoa corresponda do mesmo jeito. E as vezes iremos nos apaixonar e mudarmos de ideia. As vezes seremos Tom e as vezes Summer.

Se vocês me perguntarem se eu acho Summer uma vadia(entrando no tema das polêmicas), sinceramente não acho. Ela foi uma das pessoas mais verdadeiras em relação ao que ela queria no relacionamento. Falando várias vezes que não queria um relacionamento sério, que não acreditava em relacionamentos, nem em amor. E que a relação deles era pautada em amizade e nunca quis rótulos.

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Como o narrador diz no começo: “Essa não é uma história de amor”. Me arrisco a dizer que é uma história sobre amor. O filme mostra uma história de amor que não deu certo, como muitas que teremos ao longo da vida.

Mas, mesmo assim, ele passa uma mensagem bonita no filme e até otimista. Que o amor realmente está presente e você irá encontrar alguém. Mas antes disso errará várias vezes, achará que essa pessoa é uma, mas na verdade é outra. Não é sobre o amor que a gente erra, mas sim por achar que é a pessoa errada.

Dita até pela própria Summer, que é descrente no amor, porém achou alguém pelo qual ela se apaixonou perdidamente. Tom também, ao longo do filme, irá perceber que Summer não era “a” pessoa dele. Mas sim uma pessoa que passou e marcou. Do mesmo jeito que pra Summer, Tom não era “a” pessoa, mas isso não significa que ela não gostou dele, ou que ele não a marcou. Prova disso é quando ela vai o procurar no lugar preferido dele. E como aquele lugar passou a ser um dos preferidos dela também.

E hoje em dia é raro alguém lhe marcar de alguma forma, pois vivemos em um tempo em que as relações são efêmeras. Tudo acontece tão rápido e termina tão rápido. Viver algo de verdade é raro, se demorar em algo é mais raro ainda.

Mas também, no fim do filme, podemos tirar a lição que não há como uma pessoa ser nossa, por mais que gostamos dela. Não há como garantir que a outra pessoa sentirá por nós o que sentimos por ela e nem garantir que ela não irá mudar de ideia.

O máximo que podemos fazer é torcer para termos achado “a” pessoa e viver o momento como se fosse para sempre. Mas, se chegar a acabar e descobrirmos errados, podemos sofrer, mas tendo a consciência que a pessoa certa ainda não chegou. E, usando aquele velho clichê, se não deu certo com essa é porque a certa ainda está por vir.

P.S: Mas ainda é um dos meus casais favoritos. Por mais que não deu certo.

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