Radiohead – Qualquer um pode tocar guitarra

O ano é 1985, Michael Jackson lançava seu lendário Single “we are the world” na companhia de mais outros monstros da música, ano de lançamentos como “The breakfast club” e o primeiro da saga “Back to the future”, mas com certeza, o que mais nos chamou a atenção, veio de um grupo de adolescentes socialmente rejeitados que se reunia toda sexta em uma pequena sala de música no colégio para rapazes “Abingdon”, em Oxford, ainda chamado “On a friday” que soava como The Smiths ou qualquer outro tipo de coisa que se ouvia na época. Formada por Thom Yorke, um menino franzino com um problema em seu olho esquerdo devido a uma cirurgia mal sucedida na infância, e seguida por Colin Greenwood, Ed O’brien, Phil Selway, e mais tarde o irmãozinho de Colin, Jonny Greenwood, que se tornaria um dos guitarristas mais bem sucedidos da história.

Radiohead-Promo.jpg
Colin, Jonny, Thom, Phil e Ed: Os cinco nerds de Oxford que subverteram o mundo da música.

Logo após o final do colégio, continuaram a se ver e ensaiar durante as folgas dos seus empregos e estudos universitários. Foi em uma ou outra dessas reuniões que gravaram o seu primeiro EP “Manic Hedgehog” com algumas canções como “You” e “I can’t” que mais tarde seriam gravadas em seu album de estréia como Radiohead.
Conforme seus shows pela cena local iam aumentando, os cinco “weirdos” chamavam a atenção de gravadoras e selos locais, até que um dia, Colin conheceu um representante da EMI na loja de discos em que trabalhava.

giphy.gif
Foi a pedido da gravadora que On a Friday tornou – se Radiohead, o nome veio de uma canção do Talking Heads, e lançou seu primeiro album, Pablo Honey – Um album cru, barulhento e cheio de letras angustiadas, falando sobre baixa autoestima, ansiedade, decepções amorosas e outros temas comuns dentro da cena do Britpop da época. Soando um pouco como um Nirvana com sotaque britânico e sem tanta heroína na veia, Radiohead estourou nas paradas com seu single “Creep“, um hino da baixa autoestima em uma progressão simples de quatro acordes.
Alguns anos mais tarde, em 1995, exaustos pela fama repentina trazida por Pablo Honey, lançaram “The Bends” um álbum mais lento, introspectivo, lançando como single “My Iron Lung”, música feita em resposta ao sucesso de “Creep”, “High and dry”, “Just” e “Street Spirit (fade out)”. Tal transição trouxe consigo uma fã base forte e fiel, que se reunia em pequenas boards de discussão na internet, como o Green Plastic (nome recebido graças à uma das canções mais populares do The Bends – “Fake plastic trees”) e o At Ease, sites que inclusive são vivos e ativos até hoje, com um fandom cada vez maior e devoto.

Mas foi somente a partir de 1997 no conturbado Ok Computer, que começaram a realmente mostrar para o que vieram. Ok Computer narra em suas guitarras distorcidas (dessa vez misturadas a elementos eletrônicos, sintetizadores e outros instrumentos como a Celesta, usada em “Let Down” e “No surprises”) a imagem do homem na pós modernidade, a solidão, falta de esperanças no futuro, o uso de drogas e a crítica a cultura Yuppie são temas frequentes cantados por Thom nesse álbum, que os levou à fama internacional, mas, que por outro lado causou um colapso emocional em todos os membros da banda, que foi retratado no documentário “Meeting People is easy” que fala sobre a tour mundial de lançamento do Ok Computer.

Tal colapso e a depressão em que Yorke se encontrava, foram a principal inspiração para Kid A, possivelmente o álbum mais sombrio e mais experimental da banda. Considerado um suicídio comercial pela crítica, foi aí que o Radiohead deixou de lado as guitarras distorcidas e a escrever letras utilizando o método dadaísta do ‘sorteio de palavras’. Foi um dos álbuns mais ecléticos da banda até hoje, indo do ambient music em “Treefingers” até o Avant Garde jazz de “National Anthem”, passando pelo mais puro eletrônico na apocalíptica “Idioteque”, Kid A mostra desde a sua capa – As montanhas geladas emolduradas por um céu vermelho – o tom distópico e dissociativo que seguiria em 2000 e 2001 no lançamento de “Amnesiac”, que tem uma atmosfera parecida e é conhecido pelos fãs como um complemento da sonoridade do Kid A.

tumblr_oadl24KMeL1vw0ohlo7_r1_400.gif

Em 2002, uma onda de calmaria veio para o Radiohead, que foi refletido no longo Heil to the Thief, cujo nome despertou várias teorias pelas inúmeras boards sobre música na internet, sendo inclusive uma delas de que o álbum seria uma crítica às controvérsias eleições presidenciais nos EUA. Embora Thom negue isso até hoje, vemos temas políticos sendo utilizados como fundo nesse album, especialmente em “2 + 2 = 5”, uma referência ao livro 1984 de George Orwell.
Com o fim do contrato com a gravadora, eles entraram em um hiato ao fim da tour de Heil to the Thief, voltando apenas em 2007, com In Rainbows, considerado por muitos fãs o melhor álbum da banda. Lançado de forma independente, inicialmente na internet onde os fãs poderiam escolher o quanto queriam pagar – inclusive não poderiam pagar nada, In rainbows, encabeçado pela energética 15 step, foi um álbum quente, intenso, cheio de variações, influencias do Folk em “Faust Arp” ao Jazz como em “House of Cards” e “All I need”. E foi a tour que trouxe pela primeira vez o Radiohead ao Brasil, em 2009 na Chácara do Jóquei (SP)..

in rainbows.gif
Na ressaca do In Rainbows, e depois de uma série de projetos solo dos membros da banda, veio The King of Limbs, um álbum que não agradou tanto assim, com suas batidas sincopadas, influencias latinas mais fortes que nunca, chegando até a um xaxado em “Little by little” (ainda mais visível na versão From the Basement do album), e que deixou um grande vazio entre os fãs, por soar apenas como um grande experimento rítmico e ser bastante curto, contando apenas com 8 faixas. Parecia que o Radiohead estava chegando ao fim, especialmente, quando Thom anunciou seu novo projeto “Atoms for Peace” junto com o baixista Flea do red hot chili peppers.
Mas, no oitavo dia de maio, logo após gerar uma onda de especulações e teorias na internet ao apagar todos os registros, fotos, vídeos e posts das redes sociais, vieram com seu nono álbum, o aclamado Moon shaped pool, que trouxe em mais uma bela mistura de música eletrônica, rock, uma forte influencia de bandas como Portishead e The XX, e elementos clássicos adicionados pela London Contemporary Orchestra (na qual Jonny já colaborou antes) tudo aquilo que os fãs mais aguardavam, além de versões de estúdio de canções que eram cantadas em Lives desde os anos 90, como True love waits. Com seus clipes “Burn the witch” e “Daydreamer”, dirigido por Paul Thomas Anderson (que despertou uma curiosa teoria entre os fãs, associando a temática do disco ao recente divórcio de Yorke), além de Spectre, rejeitada na trilha sonora do novo filme do 007.

tumblr_m40zkcuuAR1qzweg0o1_r1_500.gif

É um esforço titânico manter uma banda por 30 anos com a mesma formação desde o início, passando por experimentações, mudanças constantes, recebendo novas influencias e tornando – se também influência para várias outas mais jovens que surgem, mas, essa é uma tarefa que o Radiohead tira de letra, melhorando a cada álbum novo que surge, e conquistando cada vez mais fãs com sua ousadia e genialidade.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s